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6 outubro 2009

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A ONU provou hoje que o brasileiro é burro. Mas quem lê este blog é inteligente

Eu disse que o brasileiro é burro. É uma média. Não quer dizer que todos os brasileiros são burros.

O povo que postou comentários no meu artigo, por exemplo, é bem inteligente. A maioria, claro. Sempre tem umas antas com argumentos tipo “burro é você, vai morar na gringa” etc.

Isso foi ontem.

Hoje foi divulgado que o Brasil ficou em 75º lugar, em um ranking global do IDH (índice de desenvolvimento humano).

Estamos quase na virada entre a primeira e a segunda metade dos 182 países avaliados pela ONU.

O coordenador do relatório desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Flávio Comim, explica como a décima maior economia do mundo está em 75º quando se trata da qualidade de vida de sua população.

Nossos principais problemas: saúde e educação. Que são interligados, claro. Temos uma altíssima taxa de mortalidade infantil.

Especialmente entre crianças filhas de mães sem nenhum acesso à educação – neste caso, as taxas de mortalidade infantil chegam a 119 por mil nascidos vivos.

“É um número maior do que os de muitos países africanos”, diz Flávio.

Filho de mulher burra morre mais – dava uma boa manchete do saudoso Notícias Populares.

Essa é uma das grandes explicações para morrermos tão cedo. A expectativa de vida é de 72 anos em média, dez anos menos que a japonesa.

E nossa educação? Somos o país 71 do ranking de 182. Está convencido de que somos burros?

Eu estou e não tenho problema nenhum de reconhecer minha burrice. O tamanho da minha ignorância só é sobrepujado pela minha preguiça de minimizá-la. Tenho lá meus espasmos autodidatas.

Mas na prática me eduquei sobre alguns temas – um pouco de história e geografia, um pouco de economia, um teco de culinária, o arroz com feijão de história da arte, o beabá da tecnologia.

E me escondi medrosamente de outros – ciência mesmo, física, química, biologia, botânica. Fiz como todo mundo, o que me foi mais fácil.

Por isso que um ano atrás, quando Tomás foi mudar de escola, decidi que a perfeita para ele seria uma que fosse muito boa de ciências e de esportes. Porque o resto eu estimulo ele a gostar… mas não achei a que eu queria.

Como você vê, além de burro, sou preguiçoso.

E a prova definitiva é que depois de um ano de pré-primário na Cigarrinha, sete anos na EEPG Barão do Rio Branco, mais quatro no Colégio Luiz de Queiroz (pago), sempre na gloriosa Piracicaba, e de conseguir entrar na USP duas vezes (jornalismo e história), sou o famoso “curso superior incompleto”.

Jornalismo, que fiz algum esforço para completar, abandonei porque era inútil e, principalmente, chato.

História fui um dia e nunca mais voltei. Devo ser um raro caso de duplo jubilamento na USP, mas nunca me mandaram nenhuma cartinha…

Dos 75 comentários até agora, alguns simplesmente concordam ou discordam do meu texto. Que é uma provocação assumida; por que tem gente que fica se abespinhando à toa?

Os comentários mais úteis para a nossa missão impossível – encontrar algo que preste na educação nacional – são os que vão além das palmas e das pedras.

Os que sugerem algum curso de ação ou dão um depoimento iluminador.

Como o Joaquim, professor de matemática que abandonou a profissão porque não quer ensinar para quem não quer aprender.

Ou o Miguel, que acerta um alvo importante ao criticar pais que querem fazer um filho “supervencedor”.

O pobre Washington, estudando 1ª Guerra Mundial no terceiro colegial.

O Mário Meletti, que lembrou uma ideia de lei genial do Cristovam Buarque, que obrigaria políticos a matricularem seus filhos em escolas públicas.

A professora Vera Menezes, tentando enfrentar a sedução que traquitanas tecnológicas exercem sobre a molecada.

Viviane sugere entrevistar o povo da UNE – sorry, querida, vou pular essa.

Ana Luisa mata a charada: as escolas brasileiras são chatas pra burro, e por isso são feitas pra burro.

Meu favorito, naturalmente, é o (a?) Luxorum, que me chama de “meu grisalho charmoso favorito”. Tobrigado!

Também tem o pedagogo Igor, dizendo que “burrice não existe”. Existe sim, Igor, porque sua afirmação para mim é incompreensível.

Tem o Diogo, que disse que sou idêntico ao Diogo Mainardi. Que isso, ele escreve muito melhor e eu sou bem mais velho (na verdade só pareço, o que é pior).

Mas qualquer fã de Ivan Lessa e Paulo Francis sai ganhando ponto comigo.

E tem um ou outro cobrando “então, qual é a sua proposta?”

Eu detesto quando me cobram proposta.

Não sou candidato a nada. Não tenho que ter proposta porcaria nenhuma. Jornalista a favor é assessor de imprensa.

Mas vá lá, esse é o mês de fazer uma força para acreditar que meu filho pode ter uma educação decente neste país.

Então, vou tentar ser positivo. Vamos atrás das sugestões e dicas.

Agradeço.

A gente podia entrevistar o Cristovam Buarque. Ideia excelente, será que ele topa falar comigo?

Ótima dica do Bruno Ribeiro, conversar com a diretora Ana Elisa Siqueira.

E o Anderson encomenda uma maneira de educar filho sem pagar escola. Boa pauta. Também, o cara sabe como eu penso, é meu leitor desde a Bizz – pô, essa relação já dura mais que muitos casamentos, heim?

E ótima dica é ler Neil Gaiman, que realmente é o autor da citação que Ramon observou:

neil_gaiman

“I’ve been making a list of the things they don’t teach you at school.

They don’t teach you how to love somebody.

They don’t teach you how to be famous.

They don’t teach you how to be rich or how to be poor.

They don’t teach you how to walk away from someone you don’t love any longer.

They don’t teach you how to know what’s going on in someone else’s mind.

They don’t teach you what to say to someone who’s dying.

They don’t teach you anything worth knowing.”

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59 Comentários para “A ONU provou hoje que o brasileiro é burro. Mas quem lê este blog é inteligente”

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  1. Eduardo Marini disse:

    A blogosfera colorida criou o blog. Twitters e ermanados improvisaram os microblogs. E o Forasta, com a competência que lhe é peculiar, sacramentou o macroblog. Amo muito tudo isso. Eduardo.

  2. Carlos Amaral disse:

    Olá. Claro que não é a causa toda mas, uma grande contribuição para a burrice do povo brasileiro é o enfoque dado pelo ensino nas nossas escolas. De uma forma ou de outra, somos todos instruidos a ser o melhor “empregado”. Somos treinados desde a infancia para um vestibular profissionalizante quando deveriamos ser treinados a pensar com nossos proprios neuroneos. Quando nossas escolas focarem suas metas em “ensinar a pensar”, e direcionar seus alunos e serem ótimos empresarios, aí sim começaremos a diminuir a burrice. Um ótimo empresario é e sempre será um ótimo funcionario tambem. Não fiquem com medo os atuais empresarios que apenas buscam novos carneirinhos para o seu rebanho….Vamos em frente.

  3. Mariana Lima disse:

    bem, eu faço 1º ano do ensino médio em escola particular (é de chorar ver colegas semianalfabetos nesse estágio da vida, ainda mais com a fortuna que é paga por mês pelo ensino), então minha opinião sobre o método de ensino tem lá sua base. já pensei muito sobre o assunto da educação – e geralmente chego a mais perguntas do que respostas. isso me faz pensar que eu talvez esteja indo pelo caminho errado. mas consegui chegar a algumas conclusões – espero que sejam de alguma utilidade.
    o ensino que eu recebo é totalmente voltado para um objetivo: passar no vestibular. Acho errado, até porque um bando de adolescentes de 15 anos que não sabem nada vida terem que decidir logo o que querem fazer pelos próximos 50 anos dela me parece meio radical. e todo esse conhecimento atulhado não me ajudaria em absolutamente nada depois. Porém, também não sou a favor do fim das escolas ou que só se estude determinadas matérias que teriam relação com o seu futuro (conheço pessoas que juravam que queriam fazer, sei lá, fisioterapia, e acabaram em teologia. imagina como seria nesses casos?). O que eu achei, no geral, é que deveria tentar-se conciliar as duas coisas. O tema de história do pss esse ano é ‘cidadania através da história’. E aí foram levantadas várias questões cotidianas na sala de aula, incluindo até debates políticos engajados, até com professores de outras matérias. Pra mim isso mostra que não falta interesse à muitos alunos – falta só esse interesse ser estimulado. E olha, nem precisa de muita coisa pra isso acontecer. Meu interesse por leitura foi estimulado somente com uma pilha de livros de contos de fada clássicos e isso continuou com os anos – é tanto que hoje sou fã do neil gaiman, que descobri procurando bons autores de fantasia por aí.
    Acho que muitas outras questões fazem parte do assunto, mas já escrevi demais por um comentário só. Espero o final da saga pelo tema, pois é algo que me interessa – tenho uma irmã caçula que aos 11 anos mal lê. Talvez seja um objeto de estudos em potencial.

  4. Isaac Duran Ponce disse:

    Sou acadêmico no curso de Pedagogia e tem sido tão comum ouvir que “o povo brasileiro é burro”, não discordo, também sou do tipo de pessoa que por força do Destino – se é que isso possa existir, sou “FRUTO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA FALIDA”.
    Grande parte da culpa desse sistema falido da educação é do governo, sem duvida nenhuma, não culpo os professores e nem menos os alunos, que alias são reféns.
    Posso argumentar que esta culpa vem do governo, professor com um salário miséria agora dado piso salarial de R$950,00 por 40h/a, assim o governo menosprezou a base de toda a nação, quando um professor entra na sala de aula e se depara com a deficiência das estruturas na maioria das escolas estatuais, e a falta de material didático de qualidade, faz o professor uma pergunta “qual será a manobra que preciso fazer para educar?”, pois é meu amigo Forastieri, realmente o brasileiro é burro, ainda que o governo não lhes apresente uma proposta de qualidade na educação ele continua a votar nos candidatos de sempre. Porém quando um candidato se elege e faz algo pela educação (logicamente que não resolve, mas dá a iniciativa) vem os “ventos midiáticos” e acabam por induzir o povo com seus planos de calar esses políticos, que por visar a qualidade da educação são vistos como os lobos da “elite”. É realmente como dizia o ex-presidente do Brasil Gen. Eurico Gaspar Dutra “Conhecimento é perigoso para o povo brasileiro”. Pois quanto mais conhecimento o povo tem mais força terão para lutar por seus direitos.
    Sejamos então prudentes, em vez de educação vamos as disciplinas, pois assim seremos bons trabalhadores e ganharemos nossos salários de forma digna e honesta.
    Bem André realmente o brasileiro não é burro, mas sim um transporte de cargas só com a diferença, de que em vez de combustível a base de petróleo, somos movidos a base de salários e os condutores destes veiculos são os poderosos.
    Como diz o ditado “Manda quem pode, obedece quem tem juizo” ou será que obedece quem não tem educação e conhecimento?

  5. Ana Maria Lellis Krupelis disse:

    Acho que não somos burros, mas mal informados.
    O que mais se vê atualmente é notícia de vandalismo, agressão, bulling e pais defendendo seu pimpolho encrenqueiro. Todo mundo quer ser modelo ou jogador: o que a mídia bombardear.
    Quando a gente vê quem mora nos lugares mais longínquos e faz sacrifício para estudar, sem condições decentes, dá vergonha do que há na nossa mão e não é aproveitado. Muitos são por causa de prefeitos que não usam dignamente o que recebem para a educação.
    No Estado de São Paulo, desde sempre, a educação é problemática. Estudei em escola pública. Na época da Ditadura Militar, a História do Brasil nunca ia até o século XX, tiraram aulas de Filosofia e alguns desapareceram. Sempre teve professores recebendo mal e sob leis injustas, como ainda há.
    Piorou quando o PSDB entrou no governo, com a tal da progressão continuada, a mudança de alunos de escola, conforme a parte do curso, deixando as mães meio loucas, tendo que mudar horários e gastar com ônibus. A construção de escolas é escassa, a maior preocupação é com presídios e rodovias seus pedágios.
    Os Professores da rede estadual geralmente ganham menos que na municipal, muitos tem que viajar todo dia – no interior – gastando gasolina do bolso ou meia passagem de ônibus, arriscando-se em estradas, com um vale refeição proporcional de, no máximo 50 reais, se houver aula o mês todo, levar a culpa do que não der certo e ainda sofrer com a falta de educação de alunos e pais, que entendem que o ECA quer dizer: “pode tudo”. É pouco ou quer mais?
    Quem votar nesses é que deve duvidar da própria inteligência ou humanidade.

  6. Jefferson disse:

    Bom, quer alguém inteligente pra ensinar? Meu pai.
    Sem estudo completo (só estudou o 1º ano primário até o intervalo – depois trocava com meu tio pra dar tempo de arar a terra), fala melhor que muito gente que estudou. Aprendeu a ler pq enganaram ele uma vez que foi pegar ônibus pra casa. Pegava o pouco dinheiro que sobrava e comprava alguns gibis (Mônica e Pato Donald)e ensinava eu e meu irmão a “ler” as cenas.
    Hoje, posso dizer que sei interpretar melhor as pessoas graças à meu pai. E não é só interpretar, é saber como cobrar quando alguém sabe e não quer me ensinar.

    Acho que com mais “professores” assim, a gente melhorar o nível, né?

  7. vera lúcia disse:

    Somos mesmo muito burros, afinal deixamos o Governo Lula fazer o que quer conosco.Aliás este governo roubou mais até aquí, do que o governo do Fernando Henrique.E os coitados dos pobres pensam que ele está sendo bonzinho… Quando ele estava lá no PT lutando no ABC paulista ele fazia mil e uma promesa e agora coitado dos aposentados com o joguinho de empurra, empurra do Lula! Ele quer mais é aproveitar de nós brasileiros pois somos tão burros quanto ele(porém ele foi mais esperto).

  8. Pedro Lauro disse:

    Lá vai pouca linha…
    Tá, concordo. Mas…Qual sua proposta?
    Pq n sai do Brasil, já q é o problema?
    E não adianta me mandar “Brasil 500 anos” do grabiel pensador…

  9. Anderson Noir disse:

    Concordo, e para os que acham que é simplesmente “ame ou deixe-o”, digo que não saio do país simplesmente por que ainda não tenho condições para tal, mas no dia que uma graninha aparecer…

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