25 novembro 2009
Avatar: James Cameron além da fronteira final
Você gosta de cinema? Gosta de verdade, ou gosta só de ver um filminho legal de vez em quando?
Você sabe que uma pessoa gosta de cinema quando ela gosta de ler sobre cinema. É a mesma coisa em música, arte, culinária, qualquer coisa.
Se você é apaixonado por uma coisa, quer saber mais, se informar, imergir naquele universo. Eu gosto muito de cinema. E tenho o prazer incrível de estar editando uma revista de cinema.
O nome da revista é MOVIE.
A MOVIE está longe de ser perfeita, mas tem bons textos, colaboradores muito interessantes, e visualmente está convidativa.
O número dois está nas bancas. Não todas – é revista independente, meus amigos. Mas está nas maiores bancas das maiores cidades.
Se quiser comprar a 2 e não está achando, mande um email para a Andreia: andreiaqueda@tambordigital.com.br
E se quiser receber a 3 de graça na sua casa, você pode garantir a sua já. Revista grátis? Veja como clicando aqui.
Você pode e deve colaborar com a revista. Estamos sempre procurando gente boa e nova. Às vezes nova mesmo.
Na número 2, tem uma resenha de O Solista feita por um garoto de 13 anos. Para mim, está sendo um prazer enorme lançar a MOVIE. Também porque me dá oportunidade de escrever sobre cinema.
A matéria de capa da MOVIE 2 é o filme Avatar, de James Cameron. É o primeiro que ele faz desde Titanic. Ele chega em dezembro e, francamente, estou contando os minutos para a estreia.
Como é um dos filmes mais esperados de todos os tempos, e como é um grande salto em termos de inovação tecnológica no cinema, mereceu a capa.
É uma reportagem de doze páginas. Já viu revista com matéria de capa de doze páginas? E mais o editorial abaixo, que eu escrevi.
Jim era o tipo de adolescente que você não encontra toda hora: estudioso, boas notas, ótimo em exatas. Não dava trabalho. As horas vagas passava mergulhado em livros de ficção científica.
Os adultos perguntavam: vai ser engenheiro como seu pai? Ninguém estranhou quando ele decidiu fazer faculdade de Física. Pertinho estava a University of South California, que tinha curso de cinema e uma coleção de filmes muito grande.
Jim se apaixonou por cinema – pelo lado técnico do cinema. Pesquisava métodos de projeção, funcionamento das câmeras, efeitos visuais. Lia textos técnicos, xerocava trabalhos acadêmicos. Foi se educando. A faculdade de física foi se tornando cada vez menos interessante.
Jim abandonou os estudos. Sem profissão nem certezas, foi tocando a vida. Motorista de caminhão foi a profissão em que durou mais tempo.
Já tinha 23 anos quando viu o filme que mudou sua vida – a mais perfeita integração de avanço técnico, mitologia clássica e ficção científica que já tinha visto na vida.
O ano era 1977, o filme era Star Wars, e nosso herói encontrou sua missão: fazer melhor que George Lucas. E isso, Cameron nunca fez. Até agora.
Não faltou dedicação à parte técnica do cinema. Para fazer seu primeiro filme, o curta Xenogenesis, em 1978, Jim desmontou a câmera antes do primeiro take, para descobrir exatamente do que ela era capaz.
Quer ver o Xenogenesis? Está em duas partes, aqui:
Foi maquetista, designer e diretor de arte em alguns dos melhores filmes de baixo orçamento da época. Aprendeu com mestres como Roger Corman e John Carpenter em títulos como Fuga de Nova York e Galáxia do
Terror.
Dirigiu os efeitos especiais de umas das melhores cópias baratas de Guerra Nas Estrelas, Mercenários das Galáxias.
Também não faltou dedicação ao lado artístico do cinema. Desde o início, Cameron não se propôs a ser um simples diretor. Queria controle. O Exterminador do Futuro já trazia crédito de “writer”.
Mas ele também não queria só ser um roteirista bem-sucedido (embora entre seu primeiro e segundo filme, tenha assinado o argumento de Rambo 2).

A cada filme, Cameron deu um passo à frente, técnica e emocionalmente. Ganhou fama de mestre da ficção científica hardcore, mas arrastou multidões ao cinema.
Porque os argumentos de Cameron tocam em problemas reais e atuais, num ambiente fantástico - uma fórmula para a melhor ficção científica.
O filme que finalmente trouxe o Oscar a Cameron é o menos realista de todos. Titanic não tem robôs ou alienígenas, mas é 90% pura fantasia.
Um filme deslavadamente romântico para o público feminino – algo que o diretor nunca tinha tentado. A razão porque Cameron fez Titanic em 1997 é técnica.
O outro filme que ele queria fazer em meados dos anos 90 era impossível.
O universo virtual mais convincente criado até então era o de Jurassic Park. Mas nem Steven Spielberg se arriscou a recriar em computação gráfica um meio ambiente inteiro.

Cameron havia escrito aventura de ficção científica inteiramente passada em um planeta chamado Pandora.
O romance entre uma alienígena e um humano é inspirado em um dos mitos fundadores dos EUA, o de Pocahontas – a história real da princesa indígena que salva o colonizador inglês e se apaixona por ele.
Avatar parece ser muito mais leve, mais mágico, que a maioria dos filmes de Cameron. E ele sabe ser delicado. Lembra da criatura feita de água, em O Segredo do Abismo?
Claro que o lado milico linha-dura também não pode faltar. No caso, personificado em um brucutu, o Coronel Quaritch.
O filme ilustra o choque entre civilizações e seu custo para o meio ambiente requeria a criação convincente de um ecossistema – fauna, flora, e uma civilização de cultura absolutamente alienígena, a dos Na’vi.
Uma boa comparação que vem sendo feita: O Último dos Moicanos.
A computação gráfica, os sistemas de filmagem, os sistemas de captura de movimento e os métodos de projeção dos anos 90 não estavam avançados o suficiente. Agora, doze anos depois, estão.
Veremos Avatar e saberemos se valeu esperar tanto tempo pelo trabalho da vida de Cameron, a obra que ele prepara desde que viu Star Wars em 1977.
A única coisa que James Cameron jamais fez: um filme para toda a família.
Veja mais:
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25/11/2009 às 14:10
Concordo plenamente contigo, esse filme vai ficar na história como um dos mais revolucionários filmes do quesito efeitos especiais de todos os tempos.Em dezembro não tenho dúvidas de que veremos um novo campeão de bilheterias,agora se vai ou não ultrapassar o recorde de maior bilheteria de todos os tempos de titanic, isso não posso prever, mas que estou torcendo pra que isso se torne realidade,estou.
25/11/2009 às 15:02
Opa!Tudo certo, André??
Confesso que não conhecia seu trabalho, mas, de certa forma, já me simpatizei com vc pela paixão em comum que carregamos dentro de nós: a Sétima Arte.
E fiquei extremamente interessado em contribuir e ajudar no crescimento dessa revista independente que vc está construindo. Escrevo críticas de cinema há alguns anos e atualmente escrevo para o site, Almanaque Virtual.
Se houver uma oportunidade, ficarei honrado em fazer parte desse projeto.
Meu email é: linking3178@gmail.com
Abração e bons filmes!
25/11/2009 às 15:05
A única coisa que quero saber sobre Avatar é se poderei ver com o som original.
Exatamente por gostar realmente de cinema que não vejo em hipótese alguma um filme dublado. É o mesmo que ouvir uma música dos Beatles cantada em português.
E até hoje aguardo minha Movie nº 1 gratuita, conforme aquele post antigo sobre “quem é o mais cool do cinema?”.
Pra comprar, prefiro continuar com a Empire.
Prefiro ler algo escrito por um profissional do que por um moleque de 13 anos.
25/11/2009 às 15:29
Vi o trailer quando fomos assistir Up. Na hora meu filho deu a sentença: “Pai, mãe, esse filme a gente vai ver no cinema, né?”. É. Esse filme veremos no cinema.
Lua Nova não… ele não quis nem ver Crepúsculo. Tem nove anos e disse: “Isso é filme de mulher”. Então esse a gente verá em DVD.
25/11/2009 às 16:53
Discordo 100% da última linha: acredito que Titanic seja um filme para toda a família, independentemente se tem cara de romance pra mulher. No mínimo, não dá pra ignorar sua histórica bilheteria, que certamente não foi gerada só pelo seu aparente público alvo. Além de ser um daqueles cada vez mais raros filmes que a gente dificilmente conhece alguém que não tenha visto – um clássico, no termo mais exato da palavra. Acho que ainda é cedo pra dizer isso sobre Avatar – mas o Cameron geralmente surpreende, por bem ou mal.
25/11/2009 às 20:40
Gente não tão nova nem tão boa também pode colaborar com a revista?
26/11/2009 às 12:10
Filmes de ficção nao sao tao atraentes quando se viaja para o futuro ou passado, forçando situações que vao alema da ficção, filmes como segredo do abismo, faz com que voce veja uma logica que pode realmente se possivel, ai esta o valor da produção. como todos os filmes, ingredientes como avantura, ação e romance, fazem sucesso quando sao colocados de forma logica e possivel de acontecer, ai a ficção serve para ser apreciada por esta sendo incluida numa grande historia. Agora, pelo que vi, o filme Avatar e para jovens e nao para toda a familia, muitas pessoas que passam dos 45 anos por exemplo se não acompanharem cenas que apenas induzem a imaginação no relevante a ficção, desistem de assistir por não entenderem tanto a ação como o dialogo da historia. Vamos ver, mas sou Segredo do Abismo. ainda.
26/11/2009 às 13:09
Essa revista Movie está nas bancas de todo o país? Aqui em Curitiba fui em várias (e são bancas grandes) e não encontrei.
26/11/2009 às 18:31
Um amigo já tinha comentado comigo sobre a capa da revista MOVIE sobre o filme “Avatar. Ele disse que estava perfeita e concordo com ele, uma das capas mais bonitas que ja vi, parabéns. Gostei muito do seu blog. E já participei da promoção da MOVIE.
Concordo com o André Lima, Titanic é para toda a família com certeza. Lembro que na época que estava em cartaz nos cinemas, eu era muito novo e toda minha família foi ao cinema várias vezes, eu fiquei de fora, mas lembro muito bem, rs.
Abraço
Thiago
26/11/2009 às 19:29
Smirkoff,
quando você vai colaborar! Me manda um email com seu telefone e tudo para eu te achar, pô!
Abs
28/11/2009 às 11:50
“…nosso herói encontrou sua missão: fazer melhor que George Lucas. E isso, Cameron nunca fez. Até agora.”
Não posso discordar mais. Pelo contrário, Cameron SEMPRE fez filmes melhores q aquelas criancices de Star Wars. A saga de Dart Vader é extraordinária, seu drama e profundidade são inspiradores. Mas a execução de cada filme, no tocante à dramaturgia, é um saco. Lucas força a amizade se utilizando de técnicas repugnantes para atrair o público infantil. Dá até uma certa vergonha assistir Star Wars por causa de seu caráter infantilóide. Por exemplo, no mundo real (e não virtual, if you know what I mean) eu conheço mais pessoas que odeiam SW do q aquelas que gostam.
…e durante o filme, parece que entro em letargia nos momentos de pirotecnia e só acordo quando Vader ou Anakim ou Palpatine aparecem. Ah, e convenhamos. Lucas é um bom homemm de negócios e apenas CRIOU uma das maiores sagas da história. Como diretor de CINEMA ele é uma b*sta.
01/12/2009 às 11:19
Só de ver o trailer percebi que teremos muitas indicações ao Oscar…
Gosto muito desse genero!
01/12/2009 às 13:34
Confesso que estou muito curioso para ver o filme. Tenho visto os trailers mas nao me parece algo tao diferente assim. Talvez eu nao tenha capitado algo, mas fiquei na duvida: Se o filme e tao diferente e utiliza-se de novas tecnologias antes inexistentes, as nossas salas de cinema corpotarao tamanha criatividade? Pela experiencia que tenha passado nos cinemas, incluindo manchas no filme e um caso que simplesmente vimos um filme “queimar” literalmente, pode ser que toda esse modernidade se perca.
11/12/2009 às 23:37
eu qeria muito participa desse filme poq sou muita fa dele espero qe possa min coloca
15/12/2009 às 11:03
[...] escrevi muito sobre Avatar, sem ter visto, aqui e na revista Movie. Está nas bancas ainda. Você pode procurar. Tem uma reportagem de doze páginas [...]
20/12/2009 às 19:05
Cameron é melhor diretor que o Lucas. Para mim Star Wars tem grande importância para a indústria do cinema, não para a “arte” do cinema.
Prefiro rever Aliens e Exterminador do que Star.
04/02/2010 às 12:34
Holla!
Tenho mera certeza que AVATAR trás a nova era cinematográfica. Give u all to Avatar.
Ainda não vi o filme, mas o triller diz tudo… Para quê falar mais? Se é do mesmo realizador!!!
Pela marca atingida, em tão pouco tempo, o que já é um tsunamy para o Titanic! Imaginem 3 meses depois! Esse é que filme de família. E a STAPPWAY HATTER torce pelo sucesso do Movie 3G em 3D.
One… Cameron!
Table Kellyou (AVATAR)