25 novembro 2009
Provocando O Provocador
Quando transferi meu blog do UOL para o R7, mudei um pouquinho o foco, de totalmente “lo que quieras” para uma pegada, digamos, contra a corrente.
Não do contra. De vez em quandíssimo, quando escrevo aqui uma crítica, já saio com a pedra na mão.
Mas cotidianamente tenho tentado – num estilo coloquial e quiçá cutuquento – colocar contrapontos ao senso comum, confundir, complicar, jogar luz sobre os muitos matizes de cinza que existem entre o preto e o branco.
Ou seja, é exatamente o contrário da proposta de ser um provocador. O provocador é um cartunista. Exagera o narigão do retratado, aumenta a careca, carrega nas cores, para ficar muitíssimo claro quem é o alvo e porque ele merece bala.
Mesmo assim – como arrumei umas brigas boas umas décadas atrás, e quem faz fama deita na cama – para um ou outro ainda carrego a pecha de cara do contra.
Esclareço novamente: sou seguidor de Eris, a deusa da discórida, não de Ares, o deus da Guerra.
Agora, para quem ainda tinha alguma ilusão de que o emprego de bad boy (nem tão boy) oficial do R7 era meu, novidades.
Temos agora um provocador oficial no R7, Marco Antonio Araújo, também conhecido como… O Provocador.
Welcome, my friend, to the show that never ends!
Marco Antonio chegou chegando, defendendo a recepção ao presidente do Irã, metendo o pau na lei antifumo e provocando a ira da colega Rosana Hermann.
Bem, eu meti o pau na lei antifumo, e meio que entendo porque o Brasil deve fazer negócios com o Irã, e espero não provocar nunca a ira da Rosana, de quem sou leitor e, espero, querido.
Mas em um país em que ninguém quer arrumar treta com ninguém, bato palmas para qualquer um que dê a cara para bater. E o nosso Provocador pontua bem para caramba. Pago pau para um cara que sabe usar pontos e economizar nas vírgulas.
Claro que o fato do Marco Antonio ter estreado defendendo a Record e descendo o pau na Folha vai gerar críticas de cara.
De fato, provocador a favor não existe, assim como não há jornalismo a favor – vira relações públicas.
Eu não sou a favor. Ou melhor, sou a favor de todo mundo. Só sou contra os monopólios e os cartéis.
Torço para o sucesso do R7? Claro e colaboro em tudo que puder.
Espero que a Folha de S. Paulo vá à falência? É evidente que não.
Quero mais é que todos os grandes grupos de comunicação continuem competindo cada vez mais.
É mais emprego para os jornalistas, mais oportunidades para as empresas de tecnologia, de internet, de comunicação.
Mais ação, mais confusão, mais diversidade, e principalmente salários melhores.
A competição acirradíssima na internet brasileira, com UOL à frente, Terra renovando o jornalismo, G1 dando banho em hard news, MSN crescendo, agora um projetão como o R7, daqui a pouco a estreia do novo iG, que tem uma megareestruturação editorial a caminho – tudo isso é sensacional.
A Folha, o Estadão, o Globo, o Valor, os diversos jornais fortes regionais – OK, não vivemos no melhor dos mundos, mas é muito melhor do que se tivéssemos só um grande jornal nacional ditando as regras.
Tem alguma empresa de comunicação que seja a dona da verdade, inatacável e impoluta? Não é o ponto. O ponto é a distribuição razoavelmente equânime de forças. E olho crítico e vigilante nos deslizes de gregos e troianos.
Tenho um pé no mercado de internet e outro no mercado de revistas.
Qualquer editor de revistas vai te dizer: é um problemão a existência de uma empresa que domine dois terços do mercado, como a Abril.
Você pode argumentar que ninguém teve competência para peitar a Abril e roubar dela uma fatia do mercado. Procede. Independente disso, é um pepino você ter uma editora só com tanto poder. E ainda por cima, dona da única distribuidora de revistas do país.
O nosso mercado de revistas seria mais saudável se tivéssemos quatro ou cinco empresas de porte similar quebrando o pau? Com certeza. Vai acontecer? Passou a hora. A Abril é a Ambev das revistas. Não tem mais como ninguém encarar de frente. Restam os nichos.
Leio revistas da Abril? Frequentemente. Folha? Na web. G1? Sempre. R7?
Virou hábito diário. E mais um milhão de outros veículos, grandes, médios, minúsculos.
O homem, meus amigos, é um animal onívoro.
Agora, conversando sobre a estreia do Marco Antonio Araújo, um chapa me provocou: se a Abril tem um Reinaldo Azevedo, porque a Record não pode ter alguém que compre suas brigas?
Pode, claro. Cada potência que escolha seu melhor guerreiro, que orem todos para Ares, escolham suas armas e vão à luta. Eu fico na arquibancada, clamando por sangue na hora do pau e pedindo clemência para os derrotados. Polegar para cima, sempre.
Nosso colega Provocador vai, com o tempo, deixar claro se é o campeão da Record, ou se – diferente do Reinaldo, por exemplo – é metralhadora giratória, como se autodefinia meu herói Paulo Francis.
Enquanto isso, seguirei lendo o Provocador. E no aguardo de um post do Marco Antonio cutucando a Record.
Inspirado por tanta animação, eu, que estou semiaposentado dessas refregas, estou preparando um artigo sobre… A Fazenda.
Só pra provocar, claro.












25/11/2009 às 20:27
Provocar é parte da vida. Ótimo pra se obter novas idéias e contrapontos interessantes.
O Reinaldo Azevedo escreve bem, mas é reacionário de sofá. NUNCA aceita comentários sarcásticos que discordem dele.
A imprensa brasileira é vaidosa e arrogante. Não gosta de ser criticada ou provocada.
Falando em provocar…
Quando é que eu vou ganhar a minha Movie na faixa?
Ou eu vou ter que ficar batendo TAMBOR até aparecer uma por aqui?…
25/11/2009 às 21:44
[...] Não há lugar para amadores no jornalismoWellington em Não há lugar para amadores no jornalismoBlog do André Forastieri » Provocando O Provocador em A lei antifumo é autoritária e deve ser combatidaBlog do André Forastieri » [...]
25/11/2009 às 22:10
Demais Forasta,
Apesar do Provocador chegar cheio de “malícia” dúvido que ele consiga bater facilmente aquele artigo sobre cães, se referindo aquele matadouro encontrado em São Paulo, aquilo sim é provocar.
Pra mim o provocador ainda é um título seu, não que isso seja ruim, o importante é questionar e como você disse ai acima é questinar e mostrar novos ângulos
25/11/2009 às 22:51
Um cantor disse: – Adoooooooooooro baixaria!
Eu: – Adoooooooooooooooooooooooooooooooooro os que provocam, exceto agressões físicas e verbais.
25/11/2009 às 23:26
Gostei bastante dos novos posts, e mais ainda da religião citada. Achei muito interessante a frase de Bahá’u’lláh sobre a verdade.
26/11/2009 às 10:53
Agora, falando sério.
Há tempos que eu não lia nada tão crítico, genial e provocador como Savior 28 (JM DeMatteis).
Se habilita a falar sobre o mesmo por aqui, André?
26/11/2009 às 11:05
O Marco Antonio tem um estilo mais ofensivo, agressivo… prefiro o seu, de longe. Me parece mais ponderado e inteligente. Pura questão de identificação.
Mas, como vc, irei ler também O Provocador.
26/11/2009 às 11:32
Andre,ainda não conheço bem seu trabalho,mas sem dúvida é extremamente salutar que exista alguém que provoque,desafie o senso comum,ainda mais quando o senso comum é ditado pela editora Abril e seus arautos da imbecilidade,Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi.O único motivo da visita do presidente do Irã causar tanto rebuliço na mídia é que nossa elite pseudo-ocidental e pseudo-cristã acredita quando a Veja diz que os EUA são democráticos,que Israel tem o direito divino de massacrar palestinos indefesos,que o Brasil é um país ocidental onde a religião não tem nenhuma influência,ao contrário do Irã,onde um bando de fanáticos mantém a população na miséria e sem liberdade,etc,etc,etc
26/11/2009 às 13:18
Para mim, provocador não é um cartunista, não é aquele que exagera, que deixa as pessoas com nariz maior do que o normal ou carrega nas cores. O provocador é aquele que cutuca, que normalmente discorda do que a maioria pensa e não é uma “Maria vai com as outras”. Ele filosofa, pensa, se pergunta do porquê as coisas serem de uma maneira e não de outra. Todos nós temos esse poder, essa tendência nas mãos.
A propósito, “Central do Brasil” é um dos piores filmes nacionais que já vi.
26/11/2009 às 16:15
Falou tudo André…..eu quero é assistir a briga de camarote…só não vale trapacear, mentir enganar!…coisa que muitos mascaram de “jeitinho brasileiro”….
26/11/2009 às 18:15
Entrei numa loja departamento hoje.
Tudo estava natalinicamente plastificado e as simpaticas funcionarias de gorrinho vermelho…normalz.
Derrepente o CD natal da Xuxa começou a rolar uma faixa e mais outra e mais outra irresponsabilidade eh pouco.
Sinistro insuportavel uma arma sonica psy terrivel.
26/11/2009 às 18:19
“de repente”.
mobral faz falta.
26/11/2009 às 18:42
Marcelo, não li o Saviour 28 não, mas agora vou atrás. Acabei de ler um gibi bem interessante chamado Logicomix, é uma espécie de biografia do Bertrand Russell misturada com a história da lógica… feita por uns gregos! Mas em inglês. Recomendo.
26/11/2009 às 23:37
“A Folha, o Estadão, o Globo, o Valor” Qual a diferença desses com o Jornal Nacional????? A linha de pensamento é EXATAMENTE a mesma!!!
27/11/2009 às 10:06
O que eu não entendo nesse Provocador é o slogan do blog: “O blogueiro que escreve o que pensa” Todos os outros não escreve o que pensa? Uau… Pensei que todos os blogueiros escrevessem o que pensam…
Nem você escreve o que pensa, Forastieri?
P.S.: O que acontece muito é que alguns blogueiros, como o Reinaldo Azevedo, por exemplo, escreve sem pensar…
28/11/2009 às 11:33
Que bagaceira !! Os comentários são “moderados” no blog do “provocador”… vou ficar por aqui mesmo .
02/12/2009 às 09:06
Aguardo as provocações sobre a Fazenda!!!
02/12/2009 às 22:41
Acho que você é bastante provocador também. Talvez mais que o que detém esse título.
Já cheguei a ficar com raiva.