6 de novembro de 2009 - 17:34

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Os brasileiros mais inteligentes também são burros

Levei bronca outro dia só porque escrevi que o brasileiro é burro. Mas é e as provas abundam. Não se ofenda. Vamos definir a palavra?

Segundo o dicionário Michaelis, burro é um “indivíduo estúpido, grosseiro, teimoso ou muito ignorante”.

Estupidez, grosseria e teimosia independem de educação. Tá cheio de catedrático grosso por aí. Já ignorância tem cura.

Burrice, tirando uma ocasional falta de proteína ou defeito de fabricação, não é genético. É escola ruim mesmo.

E as brasileiras são péssimas. Da creche ao doutorado. Para pobre e para rico.

O estudante que entra numa universidade “boa” no Brasil é considerado crânio, CDF, elite etc. É o sonho de todo mundo, emplacar uma USP ou Unicamp.

Só que essas escolas são muito ruins.

Na edição de 2009 do mais respeitado estudo internacional de qualidade em universidades, o Brasil aparece muitíssimo mal.

São seiscentas universidades. Harvard é a primeira. Treze das vinte primeiras são americanas, os nomes previsíveis: Yale, Princeton, MIT.

A lista completa está aqui.

Mas o que você precisa saber mesmo é que só cinco brasileiras entram no ranking:

USP em 207º lugar
Unicamp em 295º lugar
UFRJ em 383º lugar
PUC-RJ em 443º lugar
Unesp em 561º lugar

Nossas melhores universidades estão lá na rabeira. Imagine as piores.

Portanto nossos melhores profissionais (com as exceções individuais de praxe) são muito mal preparados, pelos padrões internacionais.

E existem outros? Existem. Se você é faxineira compete em termos de mercado com outras pessoas de qualificação similar, no mesmo espaço geográfico.

Se você abre um restaurante por quilo, compete com outras opções de almoço no bairro.

Agora, se você é engenheiro de software, compete em termos de mercado com engenheiros de software de Bangalore, Kyoto, Marselha e Palo Alto.

Mesma coisa se for cientista, designer, neurocirurgião. É como Olimpíada ou Copa do Mundo ou Mundial Interclubes.

Não interessa se você é o melhor goleiro do seu país. Interessa é, na hora H, defender um pênalti cobrado pelo, sei lá, Rogério Ceni.

O Brasil precisa parar com mania de grandeza e cair na real. Somos bons em algumas coisas, médios em várias, péssimos em tantas outras.

Não defendo aqui – como muitos jornalistas ácidos e bem engraçados – ficar repetindo que somos uns merdas, caipiras, não servimos para nada etc. Estou em outra fase.

Só defendo que a gente não tape o sol com a peneira.

Muitos pais de classe média e alta choram a má qualidade da educação pública brasileira, mas se enganam achando que pelo menos a dos seus filhos, caríssima, é de primeira.

Quanto antes a gente reconhecer que nossas escolas públicas e particulares são uma porcaria, mais urgente será para o país transformá-las.

Como eu disse aqui outro dia, tenho um filho e queria muito que ele tivesse uma educação decente.

Tomás vai fazer seis anos. Faltam uns doze anos para ele prestar vestibular. Dá tempo, pô!

Veja mais:

A ONU provou hoje que o brasileiro é burro. Mas quem lê este blog é inteligente

+ A educação ideal: boa, grátis e sem professor por perto (mas sem diploma também)

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8 de outubro de 2009 - 13:13

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Quanto custa uma péssima educação

No Brasil, a diferença principal entre a escola particular e a escola pública é que, na pública você não paga para crescer burro. Na particular, você paga para ser um pouco menos burro.

Mas a escola pública não é grátis. Nós pagamos por ela com nossos impostos, diretos e indiretos. Pagamos quanto?cifrao

Entre 2004 e 2009, o orçamento global do Ministério da Educação e Cultura (MEC) passou de R$ 21,4 bilhões para R$ 41,6 bi. Dessa grana, R$ 20,7 bi vão para educação básica e R$ 15,8 para o ensino superior.

O Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais de Educação, cacete, que burocrata mentecapto inventou esse nome?) destina recursos a estados e municípios.

Atingiu R$ 72,7 bilhões em 2009. O total dos fundos de financiamento da educação básica era de R$ 13,2 bi em 1999. Aumentou, portanto, mais de cinco vezes em 20 anos. Para onde vai essa dinheirama?

O principal, 60%, vai para salários, inclusive o surreal piso nacional para professor de R$ 950,00.

Agora, quanto custa um aluno por ano? Segundo o próprio MEC, os números (relativos a 2007) são:

Educação Infantil: R$ 1.647,00 por ano

1ª a 4ª série: R$ 2.166,00

5ª a 8ª série: R$ 2.317,00

Ensino médio: R$ 1.572,00

Ensino superior: R$ 12.322,00

Os países da OECP, o clube dos países mais ricos do mundo, gastam em média 6,1% do PIB. Dinamarca, Islândia, Coréia, Estados Unidos e Israel, mais de 7%. O México, 5,7%. No total, o Brasil gasta 4,6% do seu PIB com educação.

É claro que não se trata apenas de quanto você gasta, mas como você gasta. Tanto, que o investimento do Brasil em educação cresceu muito nos últimos 20 anos e avançamos pouquíssimo.

Mas contra números como estes não há argumentos.

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