Oi gente, como vocês estão?
Resolvi escrever sobre um tema que demorei uma semana para amadurecer: o drama de perder um filho. Seria até leviano de minha parte tentar entender qual é a dor de uma mãe que tem seu filho tirado do seu lado para, muitas vezes, nunca mais encontrá-lo. Mas quero dividir com vocês as lições que aprendi com várias histórias.
Comecei a pensar nisso quando recebi, há uma semana, no Hoje em Dia, Ana Cristina Pimentel e Christiane Yared. Duas guerreiras. Ana Cristina, como vocês devem lembrar, é mãe de Eloá, a adolescente que foi assassinada com um tiro pelo ex-namorado Lindemberg Alves, dentro do apartamento da família dela, depois de ser mantida refém por 100 horas. Christiane é mãe de Rafael, um rapaz que estava em um carro, alvo de outro automóvel conduzido numa velocidade (muito acima do permitido) de 190km/h, pelo ex-deputado Fernando Carli Filho, que estava embriagado. “Não tem um dia em que eu não chore. É uma dor que nunca sai do peito”, disse Ana. “Sofre quem fica. É como se esperássemos ele chegar todos os dias. Minha ficha ainda não caiu”, disse Christiane, que ainda foi categórica: “Justiça é só para quem fica.”

No dia seguinte, conheci Maria Cristina Lobo Oliveira, mãe da pequena Rachel, morta aos 9 anos por um bandido desconhecido e que teve seu corpinho colocado dentro de uma mala. “Quem fez tamanha crueldade com a minha filha?”, se perguntava Maria Cristina.
Outra pessoa que me ensinou muito foi Ana Carolina Oliveira, a mãe da pequena Isabela, que teria sido assassinada pelo próprio pai e pela madrasta. Que mulher iluminada. Um dos melhores encontros que tive na minha vida. Certa vez, ela me disse: “Não tenho mais medo de nada. Perdi o que tinha mais pavor de perder. Não sinto mais o cheirinho da minha filha, sabe o que é isso?.” Não, não sei.

E hoje, conheci mais uma mulher de fibra, Ana Paula Ferreira da Silva, que teve seu filho levado pelo ex-marido, que na sequência se matou. Alguém ficou com o menino Willyan e até hoje, dois anos depois, ela não sabe o paradeiro dele. Grávida de 3 meses, Ana Paula tenta encontrar forças para comemorar a nova vida. “Tenho fé que vou encontrá-lo e formaremos uma família feliz”, disse Ana.
Filho roubado, assassinado por um membro da família, esquartejado, morto por um bêbado inconsequente. Quanta crueldade. Por que isso aconteceu comigo? Claro, esta é a pergunta que muitas mães se fazem. Só Deus sabe responder.
Mas existe uma pergunta para qual já encontrei a resposta. Que mundo é este, no qual vivemos? É fruto da nossa falta de educação, de amor, de estrutura familiar. A responsabilidade é nossa. Nós, que somos mães, de filhos ainda vivos, precisamos educá-los como cidadãos decentes, que não matem, não roubem, nem se embriaguem para matar filho dos outros. Vamos votar com consciência nas próximas eleições. São os políticos que decidem as leis. Não adianta culpar a justiça, mas sim quem cria condições de ela acontecer. E eles são escolhidos por nós.
Essas mulheres, essas mães, me ensinaram muito. Elas não encontraram respostas, e provavelmente nem irão encontrar. Elas só buscam justiça para que tenham um pouco de sua dor acalmada.
E para nós, acima de tudo, devemos amar nosso filho incondicionalmente todos os segundos e nunca esconder esse sentimento dele. Amá-lo a cada segundo como se fosse o último. E mais: você precisa ficar inteira, por mais destruída que esteja, para criar seus outros filhos.
Uma das lições que tirei, e quero dividir com vocês, a partir da história dessas mulheres, é uma só: ter fé. Todas acreditam que vão encontrar os seus anjinhos um dia e que a justiça dos homens será feita, porque a de Deus, essa é poderosa, nunca falha.
*A propósito, o título é inspirado no nome do livro de Lucinha Araújo, mãe de Cazuza e outra mulher admirável.
Te amo Gabriel!
Bjinhos da Chris
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Tags: crimes, Gabriel, guerreiras, lei, Mães
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