13 de outubro de 2009 às 18:54
Paulo Querido
Militante da rede há mais de duas décadas e consultor em new media e Tecnologia de Informação e conhecimento, Paulo Querido é uma figura respeitada tanto no mundo cyber quanto no real. Autor de vários livros, exerceu a profissão de jornalista por quase trinta anos. Paulo dissemina suas ideias em múltiplos canais, como feeds, audiocasts, twitter, onde tem um perfil com o desejado selo de "verified account", o @pauloquerido.
Ele aceitou fazer esta entrevista via gmail.
1. Qual foi sua primeira reação ao ver o vídeo de Maitê Proença em Portugal? Qual foi sua interpretação sobre a reportagem?
PQ: Pensei: tanto barulho por uma saloiada feita para um programa light de televisão? Afinal, ainda temos muito tempo para desperdiçar em frivolidade.Não faço grandes interpretações... É apenas um momento infeliz. Há tantos momentos assim, a passar nas melhores televisões do mundo. Um dia, daqui a 10 anos, vai parar num naqueles programas que ridicularizam épocas passadas.
2. O vídeo foi feito há dois anos, mas só agora vira um 'trending topic' nas conversas e nas mídias. Como você interpreta este fenômeno de 'republicação' de coisas passadas gerando tanto buzz? Isso é uma tendência, de resgatar e repostar acontecimentos do passado, para uma nova exibição pública?
PQ: A viralidade da web é fascinante. Tenho tentado seguir o fenómeno, mas é muito errático. Há assuntos que subitamente descolam, atingem massa crítica e tornam-se grandes. Como uma bola de neve, imparável.
O que faz isso acontecer? Há muitos factores. Mas penso que a disponibilidade de públicos, que é permanente embora com oscilações pequenas, e a existência, ou não, de assuntos sérios, noticiosos, políticos, económicos ou da vida de todos os dias, jogam papéis fortes. Explicando: há uma massa de atenção e se ela não é ocupada por um assunto grande, está criada uma janela de oportunidade para um meme.
Este meme pode ser algo do momento, ou algo com passado -- como o caso do video de Maitê Proença. Há factores históricos que pesam na popularidade de um meme. A nacionalidade é um deles. A cor de pele, outro. Calculo que os sociólogos tenham aqui muito campo de estudo.3. A Internet, de fato, aproxima brasileiros e portugueses ou apenas evidencia as nossas diferenças e contradições?
PQ:Talvez a melhor resposta seja esta. Considerando o meu caso pessoal, aproxima. Nunca, antes da Internet, me relacionei tanto com o Brasil. Hoje penso na minha audiência e na minha rede como luso-brasileiras. Falo com muito mais brasileiros. Dou mais atenção à realidade brasileira, leio muito mais informação produzida no Brasil, mesmo que seja informação internacional sobre as áreas que me interessam. Agora, não espero que a Internet resolva automagicamente as questões que diferenciam os dois povos. Nem estou certo de pretender tal resolução, ou acabar com as contradições
Os dois povos têm, talvez, de aprender a se respeitarem um pouco mais.
4.A velocidade das redes é um acelerador de julgamentos precipitados?
PQ:É, sem dúvida. Mas também acelera a oportunidade de desfazer equívocos. Ou refazer o julgamento.
5. Depois de tantos anos como jornalista, escritor, produtor de cultura em mídias sociais, quais são as suas orientações éticas, seus limites humorísticos e suas conclusões pessoais sobre esta convivência global?
PQ: Na essência, são as mesmas de quando comecei a profissão. O que mudou (tento separar da experiência acumulada): é mais complicado estabelecer os laços que antigamente nos reforçavam a deontologia e pavimentavam o caminho da ética. Mas isto tem mais a ver com a precariedade do trabalho do que com a Internet. Por outro lado, a abertura de tantos novos campos de comunicação resulta num desafio estimulante. O papel do jornalista hoje passa não só por confrontar fontes, mas por munir-se dos instrumentos para compreender os memes, a viralidade das redes sociais, entre outros aspectos do data journalism.
6. Maitê pediu desculpas ao povo português e disse considerar-se uma portuguesa também. É mais fácil perdoar uma mulher bonita?
PQ:Maitê é uma actriz da minha geração. É mais fácil perdoar quem se "conhece" de algumas excelentes interpretações no pequeno ecran. Mas eu não preciso perdoar: não me senti ofendido. Quando muito, decepcionado.
Você encontra Paulo Querido no Twitter e em seu site oficial, pauloquerido.pt
farofa.com.br 





22/12/2009 às 8:55 PM
Olá como estão, este post é simplesmente para dar a conhecer de uma situação que demonstra uma falta de carácter e de civismo por parte de Paulo querido.
http://code-vtrr.blogspot.com/2009/10/paulo-querido-o-intruja.html
02/03/2010 às 11:25 PM
Caro Paulo Querido,
desde 9 de janeiro tenho um blog,sua visita seria motivo de alegria!
Sugiro que comece pelo post "Do velho Oeste",(o número 1),que explica o nome dado ao blog.
Um abraço cordial,Annie