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4 fevereiro 2010

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Encarando a Tempestade

Publicado por: Ogg Ibrahim

A rotina diária de São Paulo, pelo menos nos últimos 43 dias, tem sido assim: céu claro pela manhã, temperatura alta e temporais à tarde que provocam transtorno em toda a cidade.

O paulistano parece até estar se acostumando a isso. Como estamos acompanhando esse trágico cotidiano, resolvemos fazer algo diferente. Meus superiores determinaram que, não só deveríamos cobrir as enchentes, como “participar” delas. Levei isso ao pé da letra.

Primeiro gravamos a participação de alguns repórteres durante a tarde mostrando a situação do tempo naquele momento, por volta das 15 horas. Conferimos com nossa meteorologista, Laura Ferreira, como seria no decorrer do dia, até o final da tarde e, assim, conseguimos ter indícios de onde o temporal cairia com mais força.

Saímos a caça da tempestade como naqueles episódios do Caçadores de Tornados, do Discovey Channel: “Vira ali. Entra a direita agora. Segue em frente… Não, entra aqui agora…”. Íamos seguindo por onde as nuvens se apresentavam mais carregadas, tentando driblar o trânsito.

Quando o tempo escureceu, resolvemos parar o carro para preparar o equipamento – colocar a capa na câmera, vestirmos as nossas, colocar galocha etc. Mas mal deu tempo de abrir as portas, o céu desabou em cima de nós.

Eu estava muito disposto a voltar para a redação com algo diferente, participar mesmo da chuva como os editores queriam. Não pensei duas vezes – encarei a tempestade de frente. O resultado da reportagem vocês acompanham no vídeo abaixo.

Como se diz figurativamente, “voltei molhado até os documentos”. E, literalmente, minha carteira no bolso da calça encharcou. Ossos do ofício!

Veja mais:

+Enchente será arma de Dilma contra Serra em campanha
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28 janeiro 2010

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A enchente da vergonha

Publicado por: Ogg Ibrahim

Tenho acompanhado de perto a situação as inundações em São Paulo e isso me tem feito parar para refletir de quem é a culpa. Apesar de toda a água que tem caído na cidade nos últimos meses, principalmente dezembro e janeiro, a quem menos atribuo parcela de responsabilidade é São Pedro. Mas também não podemos descarregar 100% da nossa ira no poder público que, apesar de dizer o contrário, pouco faz para solucionar o problema. Digamos que essa responsabilidade pode ser divivida entre nossos governantes e nós mesmos, a população.

jardim-romano-18-12-2009-3

Conversando com um dos mais renomados urbanistas de São Paulo, o arquiteto Cândido Malta, descobri que as soluções, nessa ordem, poderiam ser as seguintes:

Primeiro: as pessoas pararem de jogar lixo na rua e uma coleta mais eficiente. Isso já minimizaria consideravelmente as enchentes, visto que não teríamos mais nada nas ruas e calçadas para entupir bueiros e galerias de águas pluviais.

Segundo: a construção de mais piscinões (pra quem não conhece, imensos reservatórios que retém a água). Nos anos 90 previu-se a construção de 140 deles até 2010, mas apenas 44 ficaram prontos. Isso é cerca de um terço do necessário para evitar o problema.

Terceiro: planejamento. O que se fez até agora, foi apenas uma tentativa de corrigir erros de cálculo do passado. O que falta às nossas autoridades é projetar com folga o que aconteceria daqui a 10, 20 ou 30 anos para se evitar o que acontece hoje. Só que a má vontade política demonstra que as coisas não andam como deveria.

Existe hoje uma guerra entre ditos “especialistas” sobre qual seria a melhor solução. Alguns defendem os piscinões. Outros condenam por se tratar de áreas imensas que não poderiam ser aproveitadas de outra forma depois. Pregam a implantação de parques gramados onde a água poderia ser absorvida pelo solo. Aí eu pergunto: se faltam áreas para se construir os reservatórios, como achá-las para construir parques?

O que vejo nesse momento é que muita gente aproveita a desgraça para aparecer de uma forma ou de outra mas não apresenta uma solução imediata e eficiente que possa tirar a população desse caos.

A população invade áreas de várzea, ocupa espaços que são dos rios, sofre com a inundação e depois culpa a prefeitura pela falta de apoio. Por outro lado a prefeitura permite essas invasões porque é mais barato tirá-los de lá depois do que construir moradia popular pra todo mundo e tenta remediar a situação com um vale-aluguel que mal paga um quartinho de pensão. E enquanto não se faz nada de efetivo, vejo pessoas, que se dizem cidadãos, jogar pela janela do carro maços de cigarro, panfletos, comida e todo o tipo de lixo que ele não quer dentro do veículo.

E o que falta? Falta iniciativa, falta cidadania, falta vergonha na cara… dos governantes e de todos nós. E esqueçam que um dia isso vai mudar.

Veja mais:

+ Chega a 65 o número de mortes causadas pela chuva
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19 janeiro 2010

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Arriscar para viver melhor

Publicado por: Ogg Ibrahim

Olá seguidores!

Andei sumido por causa de umas merecidas férias. Mesmo tendo “tuitado” de vez em quando e postado algumas fotos no Facebook, preferi deixar os artigos do blog para quando voltasse. Em alguns momentos, principalmente nos de lazer, os pensamentos podem variar entre o insano e o insensato. Então preferi me conter. Mas por que não ter arriscado, né?

Outro dia, um amigo postou no Facebook a seguinte frase: “Arriscar ou não arriscar?”. Não procurei saber do que se tratava, mas a dúvida me levou a algumas reflexões. Antes de pensar nisso comentei em sua página: Arriscar sempre, amigo. Afinal não devemos nos arrepender de coisas que deixamos de fazer.

Tendo escrito isso, passei a relembrar das vezes em que segui meus próprios instintos. Uma delas, por exemplo, foi a em que comprei um bar-restaurante, mesmo com os amigos tentando me convencer de não fazê-lo. Ou a ocasião em que resolvi sair da TV depois de 16 anos de trabalho, jogando pro alto carreira, salário, status etc. Se eu soubesse as consequências, talvez não tivesse feito nada disso.

Mas que graça teria a vida se pudéssemos prever tudo o que acontece? Que força teríamos pra recomeçar se pudéssemos evitar o que de ruim nos acontece? Com tudo o que passei até hoje, aprendi que é dos momentos de dor que tiramos fôlego pra dar a volta por cima, que aprendemos a ser mais humildes, que descobrimos que nossas fraquezas não são um defeito, mas sim as rédeas que nos nos dão direção.

Na minha vida toda eu sempre arrisquei, sem pestanejar. E das várias vezes que fiz isso, digamos que enfiei o pé na jaca menos vezes do que esperava. Mas muitas vezes também o “arriscar” não deu em nada – nem pra bom, nem pra ruim. Então posso dizer que, na média, arriscar foi equilibrado. Com essa equação em mente, jamais me pouparei de fazer isso de novo e de novo e de novo.

Quando recebi o convite para vir para São Paulo, arrisquei novamente. E ainda arrisquei os projetos pessoais de outra pessoa, minha mulher, que teve de abandonar seus sonhos pelos meus. Agora, um ano depois, colho os frutos das incertezas que vivi e das apostas que fiz. E frutos bons, suculentos, saudáveis e reais.

Por isso, sempre digo: a não ser que você esteja no parapeito de um arranha-céu achando que o salto é a melhor saída, arrisque sempre, dê tempero à sua vida. Pelo menos assim, você não morrerá com a sensação de ter perdido algo que teria te feito imensamente feliz.

Veja mais:

+ Diário da Enchente
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13 janeiro 2010

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Pais que perderam seus filhos – Mamonas pra Sempre

Publicado por: Abigail Costa

Foram apenas nove meses de relacionamento.

Em pouco tempo, as letras divertidas já estavam na boca do povo.

Com a mesma intimidade eles entravam nas nossas casas, principalmente nos finais de semana.

Nos programas de TV, a disputa pelos Mamonas era óbvia: a audiência.

Depois do acidente, os programas perderam um pouco da graça, os fãs perderam seus ídolos, e eles, os pais, perderam o que tinham de mais precioso: os filhos.

A reportagem de hoje, pra mim a mais humana, traz depoimentos de parentes, e mais:

pela arrumação do quarto parece que Júlio vai voltar de uma viagem;

os instrumentos de Samuel e Sérgio continuam afinados;

e a chácara comprada por Dinho.

Seu Hildebrando, dona Célia, seu Ito, Ana Paula, obrigada pelas entrevistas, pelo carinho por mostrar pra gente um pouco mais dos meninos fora dos palcos.

Hoje, no Jornal da Record, a terceira reportagem da série “Mamonas pra Sempre”.

Reveja aqui as partes 1 e 2 da série:

Parte 1


Parte 2

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12 janeiro 2010

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Dinho, dos Mamonas, pela primeira vez na TV

Publicado por: Abigail Costa

Antes de se tornarem os  Mamonas Assassinas, o Utopia  se apresentou pela primeira vez num programa de TV. E foi na Rede Record.

No Sábado Show havia um quadro, “Oficina”, aberto a essas bandas de garagem.

De cabelos compridos e encaracolados, Dinho se mostrou bem à vontade diante das câmeras.

Divertido como ele sempre foi, não perdeu a chance de vender o peixe, um LP, para o então apresentador Savério Zacanini.

Esse vídeo fará parte da reportagem de Arnaldo Duran, hoje, no Jornal da Record, na série “Mamonas pra Sempre”.

Veja mais:
+ Mamonas pra sempre no JR
+ Gravadora pode lançar mais um disco dos Mamonas
+ Gugu: “Os Mamonas não morreram”

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11 janeiro 2010

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MAMONAS PRA SEMPRE

Publicado por: Abigail Costa

Mamãe, por que falam tanto desses caras? Eles não morreram faz tempo?

A pergunta foi do meu filho de 13 anos.

Antes de começar a reportagem sobre os Garotos de Guarulhos, não tive resposta pra ele.

Em março de 96, estava grávida. Dentro da minha barriga, Gregório não imaginava que o Brasil chorava a perda dos Mamonas Assassinas.

No domingo cedo, quando soube do acidente, corri para a televisão. As emissoras repetiam os shows, músicas e entrevistas, enquanto os repórteres apareciam, ao vivo, tentando contar o que aconteceu com aquele avião.

Agora em dezembro entrevistei amigos, produtores, diretores. Parentes. Falei com os pais do Dinho, Dona Célia e seu Hildebrando. Conversei com a irmã do Júlio, Ana Paula. Junto com seu Ito conheci o canto dos meninos, Sérgio e Samuel. A família do Bento não quis falar sobre o assunto. Respeitamos.

A minha preocupação era uma só: Como fazer uma reportagem diferente? E com os mesmos personagens? E com a mesma história? E com as imagens que o mundo conhece?

Descobri no fim que quando se fala de pessoas iluminadas nada é repetitivo. Mesmo depois de 13 anos. Os Mamonas mostraram que o sucesso está na simplicidade, criatividade. Por isso conquistaram fãs do neto ao avô.

As besteiras, os palavrões das músicas eram entendidos com sonoridade, não como “coisa feia”. A vida tinha mais graça pra eles porque eles riam dela! É isso Gregório!

As pessoas ainda se lembram dos Mamonas porque o sucesso, o dinheiro, os 2 milhões e meio de CDs vendidos em apenas nove meses de carreira, nada disso veio acompanhado de arrogância.

Ninguém mudou por causa da fama. A partir desta segunda-feira na nova série do Jornal da Record, MAMONAS PRA SEMPRE.

Acompanhe e depois me diz se tenho razão ou não!

Veja mais:

+ Gravadora pode lançar mais um disco dos Mamonas Assassinas, diz pai do vocalista
+ Os Mamonas não morreram
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26 dezembro 2009

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ANO NOVO! SERÁ MESMO?

Publicado por: Ogg Ibrahim

Feliz Ano Novo

Mais um ano chega ao fim. É engraçado como o “suposto” término de um período promove mudanças em nossas vidas. A cada dia 31 de dezembro, fazemos promessas disso e daquilo, decidimos o que será e o que não será mais feito e escolhemos o que queremos e não queremos mais.

Na verdade somos tomados por um suposto poder, um suposto controle de nossas vidas que realmente não temos. A vida é imprevisível e por mais projetos que traçamos, nunca sabemos ao certo se eles serão concretizados. Como muito se diz, a única coisa certa nessa vida é a morte. 

Não vejo a virada do ano como o fim ou o começo de algo. É claro que fomos educados em nossa cultura a comemorar isso, mas devemos manter a consciência de que o dia seguinte, o dia primeiro de janeiro, não será diferente do dia 25 de outubro, ou do dia 16 de março, a não ser pelo fato de ser um feriado como outros tantos feriados.

Então por que deveria ser o começo de uma nova etapa da vida? Por que não fazer esse começo hoje ou dia 08 de agosto? Por que não tratar como ano novo o momento em que nos curamos de uma doença, nos recuperamos de um acidente, conseguimos um emprego melhor, nos casamos ou temos um filho?

Muitas pessoas esperam essa virada para perdoar alguém. Outros, para iniciar um novo projeto, para emagrecer, para voltar a estudar. Milhares esperam mudar, se tornar pessoas melhores. Outra centena espera o momento apenas para agradecer pelo ano que se foi. E me pergunto: por que esperar a virada do ano pra tudo isso? Esses deveriam ser exercícios diários de consciência.

De qualquer forma, o que importa é o que sentimos. A mudança é mítica, mas se isso nos faz acreditar que tudo será diferente, então que seja. Façamos do dia primeiro o marco zero de uma nova era, mas jamais esqueçamos de ser humildes e altruístas também nos 364 dias seguintes. 

FELIZES DIAS RENOVADOS A TODOS!

Veja mais:

+ Especial de Natal do R7

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20 dezembro 2009

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Diário da Enchente

Publicado por: Lucio Sturm

Tem coisa pior… imagine o que é cobrir uma guerra!

Foi esta a frase usada pela minha mulher para tentar me tranquilizar quando contei a ela, meio aflito, que iria passar a semana no Jardim Pantanal – região de São Paulo onde dez mil pessoas vivem alagadas desde o dia 08 de dezembro.

Minha primeira preocupação foi com a segurança. Tinha fresco na memória a experiência da última visita ao bairro, dois anos atrás. Era uma reportagem sobre saneamento básico. Andávamos pelas ruas acompanhados de um líder comunitário. Por duas vezes, traficantes vieram de moto perguntar qual era o motivo da nossa presença.

jardim-romano-18-12-2009-3

Minha apreensão aumentou na noite de domingo, véspera da partida.  Liguei para um amigo, delegado de polícia.

-Vou dormir no Jardim Pantanal, contei.

- Você tá louco… é super perigoso.

Era tudo o que eu não queria escutar.

-Qual é o endereço?

Respondi que não sabia ainda, já que estava de folga e tinha decidido não falar com o produtor que alugou a casa para não antecipar problemas. Fiquei de ligar na manhã seguinte, quando chegasse lá.

Saímos da TV Record às quatro da madrugada da segunda-feira, dia 14.  No caminho, assim que entramos na região, a cena, numa pequena estrada esburacada, era difícil de entender. Vans e ônibus parados em enormes poças d’agua.

Detalhe: não havia chovido em São Paulo naquela noite.

Assim que desci do carro para gravar notei que uma fina lâmina de água corria pelo chão.

- De onde vem isso? Perguntei a um motorista.

- Do Tietê.

Só depois consegui entender. Naquele ponto o rio tem o traçado em forma de “S”. Com a cheia, a água se esparramava formando um longo retângulo molhado.

Depois de entrevistar motoristas e passageiros que tentavam ir para o trabalho, fui falar com uma senhora que estava parada na janela de uma casa, com olhar vazio.

Quando cheguei perto, não acreditei: a lamina d’agua atravessava toda a casa. Corria por baixo de camas, mesas e dos poucos móveis que ainda restavam inteiros.

Perguntei como ela vivia assim… com dois filhos… o que comia?

-Não tem mais o que comer… outro dia mataram uma cobra… tentei comer antes de dar para os meninos, mas joguei fora. Tinha gosto de esgoto.

O dia nem tinha começado e já estávamos com quase uma fita inteira gravada.

Chegamos à casa alugada com o dia clareando. Um autêntico “puxadinho” em cima do mercadinho do bairro. Guardamos as malas e saímos de novo para gravar. Antes, anotei o endereço: Rua Capachós.

Na primeira oportunidade, liguei para o amigo policial.

- Me dá cinco minutos que vou ver no Google Earth, ele disse.

O retorno veio logo depois. Era animador.

- Pode dormir abraçado com o ursinho de pelúcia. É a rua do CEU (Centro Educacional Unificado da Prefeitura). Jardim Romano. Aí é tranquilo.

Ele mesmo me explicou que a região chamada Pantanal é formada por vários bairros.  Em alguns, a barra é pesadíssima.  Em outros, não. A casa ficava no mais civilizado. Ótimo.

Gravamos a manhã inteira. Era o início de uma semana cheia de histórias e cenas impressionantes: casas cheias d’água, famílias ilhadas, pessoas há dias sem por os pés na rua.

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Barcos feitos de garrafas pet para buscar comida, pontes improvisadas para atravessar ruas, escadas que levavam a rotas de fuga por cima dos telhados…

Quase tudo parecia surreal. Filme de apocalypse. Uma espécie de Mad Max molhado. Meninos brincando na água suja, cobras e eletrodomésticos boiando…

Se olharmos para a atuação do poder público o filme seria um pastelão.  Uma comédia de erros. A região alaga desde quando os bandeirantes usavam o Tietê para chegar ao interior do estado. Não por acaso, ganhou o apelido de Pantanal.

Mesmo assim, as ruas estão asfaltadas, há escolas, trens, postos de saúde, conjuntos residenciais financiados por bancos, e o CEU – uma obra de 27 milhões de reais construída exatamente na área alagável – hoje isolado pela água.

A infraestrutura consolidou e incentivou a ocupação irregular. Agora, a Prefeitura promete tirar mais de 3 mil famílias da área alagada.

As histórias do Pantanal Paulistano são tristes. Cortam coração. Gente que comprou ou construiu casa sonhando com uma vida melhor e agora, vê a água batendo na porta, chova ou faça sol.

Eu não imaginava, mas na verdade, estava mesmo indo cobrir uma guerra quando embarquei no “Diário da Enchente”. Uma guerra do homem contra a natureza. Que, dessa vez, parece ter vencido o confronto.

jardim-romano-18-12-2009-5

Com imagens de Julia Chequer

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+ A gafe nossa de cada dia

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17 dezembro 2009

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Os profetas da academia

Publicado por: Vinícius Dônola

No post anterior, transcrevi partes iniciais de uma tese que, vinte anos atrás ou quase isso, versava sobre um tema que parece vivinho da Silva: a mudança no perfil do telespectador, menos passivo, mais ávido por produzir conteúdo.  Nas entrelinhas da linguagem acadêmica, os conceitos de desmassificação e interatividade servem de coluna dorsal para o estudo.

Reiterando que o estilo da escrita que se segue foge à linguagem dos blogs, espero criar com vocês uma ponte para análise teórica dos fenômenos que nos transformam, ainda que, despercebidos, não nos demos conta do tsunami que varre a Comunicação Social global.

Boa leitura.

Vinícius Dônola

A Comunicação Social e a Terceira Onda de Alvin Tofler

“The Third Wave” varreu conceitos e fez ruir o castelo de areia da velha comunicação de massa. A torre das estruturas verticais de produção midiática caiu com a força das ondas e só ficaram lembranças da praia da Segunda Onda. Os velhos heróis do reino tinham músculos e coragem, mas se renderam aos braços da informação.

“O negócio fundamental do espião é a informação – e a informação talvez se tenha tornado o negócio mais importante e de mais rápido crescimento no mundo. O espião é um símbolo vivo da revolução que, neste momento, varre a ionosfera.”

(TOFLER, Alvin, in “The Third Wave”)

Nas espumas desta onda, eis que aparece um novo telespectador, um homem saturado de ver e ouvir, sedento por expressar seu universo, suas idéias, quando não sua discórdia ao mundo que o abraçava. Cansou de esquentar a poltrona da sala numa comunicação quase unilateral.

Alvin Tofler não foi o único a desenhar este novo Homem. Por um lado, há Jean Cazeneuve. Por outro, Jean Cloutier, os pais de um projeto que versa sobre “desmassificação” e “interatividade”.

Mas idéias sem freio são fadadas a cair no abismo da utopia. A casa do “novo telespectador” tem paredes que, na verdade, foram edificadas pelo mercado, pelo fluxo inenarrável da oferta e da procura.  A informação, mais do que nunca encaixotada e rotulada, está à venda como mercadoria, à disposição da vontade do comprador, do seu desejo de consumir.

Nesta nova realidade, alguns meios de comunicação não ficaram estáticos e aprenderam a saciar a sede do “novo telespectador”.

(…)

Por fim, nosso “novo telespectador” ganhou o direito de participar. Não devemos nos levar numa onda de extrema utopia, de quebra radical da estrutura da sociedade, mas o certo é que seu “feed-back” é mais expressivo, e já possui maioria para ir às compras. Não entendemos como viável uma malha comunicativa repleta de pequenos emissores caseiros, saturados de receber e de não emitir. O que há é um desejo natural de expressão, de criação, que será reconhecido com o teletexto (vixe, isso é velho!), com o vídeo texto, com a televisão a cabo e, agora, com os CDI´s.

Tudo depende da procura e, como tal, da oferta patrocinada pelas Novas Tecnologias.  (velho, porém profético) O “novo telespectador”, em síntese, é qualquer coisa de inédito, mais novo do que propriamente experimental. Talvez, seja um ser massificado fazendo panfletagem da Terceira Onda; ou simplesmente um receptor passivo iludido com o discurso da comunicação interativa. À frente do rosto deste novo personagem, ainda há uma nuvem de dúvidas, que fazem do pequeno Emerec (conceito de Cazeneuve) um adolescente cheio de crises existenciais, mas naturais da idade. A relação “caixa-preta” e “novo telespectador” sempre será assim, com altos e baixos, casamentos e separações. Mas, pelo menos, uma coisa é certa: o fascínio entre ambos nunca vai apagar.

Vinícius  Dônola

Trecho de tese defendida na Escola Superior de Jornalismo do Porto, Portugal

1992

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16 dezembro 2009

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Quando tudo parece novo

Publicado por: Vinícius Dônola

Vinte anos atrás, diante de uma banca examinadora, vi-me acuado por um arguente que, por cerca de duas horas, questionou os autores e os conceitos que eu usaria na tese a ser defendida. Eu havia escolhido o arguente.

Naquele dia, ao final de quatro horas e pouco de muita argumentação, deram por concluída – e bem sucedida – a minha empreitada ao tratar do ser que nascia diante da TV: o novo telespectador. Novo, sim, para a época. Ou não?

Tomo aqui a liberdade de transcrever alguns trechos iniciais da tese, numa linguagem assumidamente inapropriada para um blog – um diário eletrônico que não se imaginava criar à época da banca examinadora. Mas estou certo de que os textos e citações podem ser úteis a estudantes de Jornalismo, quem sabe, interessados no processo que hoje, tanto tempo mais tarde, passa na tela de nossa realidade.

Em breve, teclarei o F5 de meu cérebro e atualizarei o estilo da escrita.

Promessa.

Repare nas datas e boa leitura.

Vinícius Dônola

O NOVO TELESPECTADOR

O discurso científico é um rebanho que carece de pastor. É necessário conduzi-lo, mas, sobretudo, cerceá-lo; mais do que avolumá-lo, é imprescindível ter cajado sobre os conceitos.

(…)

Há de se admitir que, ao fim de tal discurso científico, a introdução será velha, carcomida, porque as rugas nos fins do século XX nascem aos segundos.

(Alvin) Tofler fez ruir o muro da “pasta mole”, de Jean Cazeneuve, no conceito de desmassificação.

“… no domínio do mercado das mensagens, uma das tendências é pôr à venda não este ou aquele artigo, mas todo o ‘supermercado’”.

(BURGELIN, Olivier, 1970)

O “homem da poltrona” pediu diversidade, exigiu opções; o mercado produziu… e vendeu. Talvez, o telespectador da Terceira Onda, um homem desmassificado, venha a consumir mais e mais produtos com alto grau de desmassificação. Ele pode beber Coca-cola, ou Sagres, ou comer hambúrguer Mc Donold´s, pois chovem opções. Mas o tempero das refeições tem sabor de “sinergia”. O século XX fez o planeta encolher através de uma brusca uniformização de estilos de vida. (NAISBITT, John, Aburdene, Patricia,

1990)

Mas, nas ondas de Tofler, veio outro conceito que revolucionou os centros de produção e distribuição de mensagens: a interatividade. A TV seduziu os olhos e ouvidos de milhões, esquecendo-se, porém, de dar espaço à voz do telespectador. Ele não mais suportou o fluxo unidirecional de comunicação, que menosprezou seu potencial criador, sua força de expressão. Na poltrona da sala, há agora um Emerec..

“… passar de receptores passivos a emissores de mensagem.” Os telespectadores “… manipulam o aparelho em vez de se deixarem meramente manipular por ele.”

(TOFLER, Alvin, A Terceira Onda)

Cercear Alvin Tofler também parece próprio e não menos fundamental. Não é objetivo deste discurso científico abordar efeitos e conseqüências da vaga que está a nascer. A nova sociedade ainda elabora seu conjunto “neo-magnífico” de interações e foge à apreciação analítica deste trabalho tal abordagem. No entanto, eis um canto para a reflexão sobre a identidade do “novo telespectador” e, como tal, do novo modelo de comunicação de massa. Limitamo-nos, parafraseando Bartolomé Mostasa, a “pôr os prós e os contras, sem desatar o nó da dúvida”.

Vinícius Dônola

Tese “O Novo Telespectador”, defendida na Escola Superior de Jornalismo do Porto, Portugal, 1992

Veja mais:

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